Carta de amor ao Jared Leto

Grande parte da minha adolescência foi passada a ouvir, explorar e descobrir músicas e artistas diferentes daquelas que o meu pai me mostrava, por isso, a maioria das bandas dessa época eram punk-rock ou que tinham assumidamente com o seu “quê” de rock e alternativo. Por isso é natural referir com frequência os Limp Bizkit, os Linkin Park, os My Chemical Romance ou os Thirty Seconds to Mars como artistas importantes nos meus dark days. Focando-me nestes últimos, os 30STM eram (e continuam a ser) uma banda super fixe e diferentona que complementava o meu espírito artístico-deprimido (recordar outra referência aqui).

Para além disso, achava o Jared Leto lindo de morrer, super alternativo, super tudo e identificava-me com a sua necessidade de ser diferente e ter uma personalidade tão distinta.

JARED LETO…?

Jared Leto. Sim, há muitos mixed feelings sempre que o nome do Jared Leto vem à baila. Vejo pelos meus amigos, companheiros de trabalho e familiares. Sei-o e reconheço que o preconceito contra o mr. Leto existe. Eu própria já fui preconceituosa em relação ao trabalho. Vivia com a ideia que um músico por muito bom intérprete que fosse, não podia ser ator e viver uma vida dupla no mundo artístico. Um único papel era suficiente.

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Falemos sobre Jared. Ele é músico, produtor, compositor mas também é actor, e um óptimo actor por sinal. Não vou falar no músico kind of overrated mas sim analisar Leto como actor. Acredito que é o que fará sentido pois, invariavelmente, é a posição em que é menos reconhecido. Provavelmente já o viram em filmes como Suicide Squad, Fight Club (a #1 regra do Fight Club é que não se fala do Fight Club), Dallas Buyers Club ou, mais recentemente, Blade Runner 2049.  Para além de todos incluírem Jared Leto, em todos eles se vê um actor com transformações fantásticas, completamente díspares e intensamente peculiares.

 

Admito que foi um actor que me demorou a entranhar. Achei-o sempre demasiado exagerado, com papéis demasiado complexos. Talvez fosse muito infantil quando vi alguns dos filmes dele, mas a primeira vez que me chamou a atenção foi no Fight Club. Uma prestação curta, meio estranha mas que se enquadra perfeitamente na cena meio freaky deste filme.

Logicamente não vou referir Suicide Squad.

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No entanto, o meu coração foi arrebatado pela performance de Jared Leto em Blade Runner 2049. A sua actuação foi absolutamente transcendente. Empenhou-se e entregou-se a um papel obscuro, sombrio e muito intenso, onde ficamos divididos entre ser o vilão mais estranho e cool de sempre. Aparece no filme em doses pequenas mas suficientemente marcantes para dar personalidade à continuação de Blade Runner.

A humildade com que desvaloriza o seu talento, a forma apaixonada com que revela o processo de trabalho e o amor pela arte e pelo filme são contagiantes. Mais que humilde, Jared Leto agarra-se a cada papel com uma intensidade fora do comum. Acredito mesmo que aproveita cada filme como se fosse o último, como se nunca mais tivesse a oportunidade de representar, dando a sua alma a cada papel e a cada personagem como se fosse uma parte de si. Não há nada mais bonito que o actor se expor e revelar uma nova vida que transparece na personagem que interpreta e o Jared Leto é exímio nisso.

Se ainda não viram Blade Runner 2049 corram e apreciem esta actuação no grande ecrã, tal como merece que seja vista.


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Patricia Fernandes

 

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