O poder da ignorância e seus efeitos derivados

Vivemos num mundo onde a ignorância e a falta de cultura são os maiores cancros da nossa sociedade. Mas tal não é uma novidade, já Goethe dizia (em alemão, na­tür­lich), e passo a citar, “Não há nada no mundo tão aterrorizante como a ignorância”.

Mas de onde provém toda este desinteresse pelo conhecimento? Sejamos honestos, a ignorância, nos países onde a educação é acessível a todos, é o resultado de um enorme desinteresse geral da população em informar-se sobre os acontecimentos não só diários mas históricos, marcantes da Humanidade e do seu percurso.

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A meu ver, é tudo resultado de um constante bombardeamento com os chamados “junk-food films/music/series/art”. Ligamos a televisão e tudo o que vemos são reality shows, programas de tarde completamente inúteis ou o Anticristo do mundo Erodito: Programas de domingo à tarde e os seus músicos que são tão profissionais que nem precisam de ligar os instrumentos à eletricidade para eles funcionarem! ISTO ACONTECE EM  TELEVISÃO NACIONAL.

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Numa nota quase à Salvador Sobral (que voltará aos palcos num instante, oxalá), a sociedade moderna diverte-se a engolir inconscientemente material e conteúdos completamente desprovidos de interesse e que têm como efeito unicamente entorpecer os seus utilizadores. Assim, o desapreço pela educação e pelo conhecimento, como também pela arte erudita e pelos pequenos detalhes que tornam a vida tão bela tem como resultado a massificação da ignorância e a consequente tragédia que causa no mundo democrático.

Desde que há democracia que esta mostra as suas falhas. Vários foram os tiranos que chegaram ao poder como resultado da ignorância geral da população. Hugo Chávez, o terrível nome que faz estremecer qualquer venezuelano com vergonha, chegou democraticamente ao poder em 1998 e como ele muitos mais.

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É esta situação que realmente me apavora, porque a história humana tende a repetir-se, especialmente quando aqueles que têm o poder de escolher os mandatários da nação não a conhecem. Assim, sendo a minha geração a que mais acesso à informação tem de toda a história humana, no panorama sócio-cultural em que vivemos hoje em dia, especialmente em Portugal, com tantos mas tantos programas culturais abertos à população,  espero o dia em que possa dizer “Realmente, vivemos um apogeu cultural” sem estar a mentir.

Com a internet e o “desenvolvimento” da educação (cujo método se mantém demasiado semelhante ao que existia há 40 anos), mas do qual resulta a massificação da alfabetização, seria de esperar que a minha geração fosse das mais produtivas e intelectualmente ricas que alguma vez se viu. Apesar disso, verificamos que a boa música produzida nos nossos dias (porque sim, ela existe) é praticamente ignorada pelas massas, e cada vez mais encontramos na juventude uma lacuna de valores morais e de interesse geral por elementos que merecem tal. É de salientar também, que esta juventude recebeu, ou supostamente teria recebido, tais valores morais de seus progenitores ou pelo menos familiares mais velhos. Mas essa nota fica para outro artigo.

Bom, e após este pequeno desenvolvimento sobre a minha visão do cenário mundial em que vivemos, concluo novamente apoiando-me na citação de Goethe que referi no início do texto. Tenham muito medo, pois a ignorância é o campo fértil onde os grandes tiranos plantam as suas sementes de ódio, onde os grandes movimentos mundiais que visam nada mais que a catástrofe geral e a destruição crescem e proliferam.

 


José Miguel Pires

 

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