Em casa estava melhor!

Tomando como ponto de partida a frase da fotografia de capa, é deverás uma das grandes consequências de viver sozinho o facto de ser responsável por tudo aquilo que fazemos. E que grande chapada foi a realização do quão verdade é esta frase.

De Braga até Lisboa, passando por Aveiro, Coimbra e a Invicta, em residências, quartos ou apartamentos partilhados, assim vivemos eu e os meus companheiros nesta nova etapa de vida em que se tivermos fome temos de ser nós próprios a comprar e cozinhar a comida, ou a sujeitar-nos a formar um pacto com os infernais arcos amarelos.

“Parece que ainda ontem estava a fazer auto-avaliações e fichas de leitura”

Contando com duas miseráveis semanas de vida de estudante, as experiências vividas já servem para formar alguns sorrisos e caras de espanto em quem ouve os meus relatos. Entre uma odisseia envolvendo panelas e arroz, várias refeições desprovidas de sal ou um simples fio de azeite, e deambular pelas ruas do Porto graças a um autocarro fantasma que nunca apareceu, assim passam os meus dias de vida de solteiro e universitário.

Universitário, palavra que ainda me soa tão pesada. Parece que ainda ontem estava a fazer auto-avaliações e fichas de leitura. Sendo atualmente estudante de Ciências da Comunicação na Universidade Fernando Pessoa, tendo até agora vivido uma experiência muito enriquecedora em termos culturais, sociais e acima de tudo como pessoa, não há um único aspeto de que me possa queixar. Exceto a velocidade da internet em casa. Mal acostumado a poderosa e veloz internet, vejo-me agora a sonhar estar em casa só para conseguir conectar-me a um jogo online sem querer arrancar os cabelos da cabeça. De resto, está tudo nos trinques.

Fora a comida. Mãe, pai, obrigado por terem cozinhado para mim todos estes anos. É realmente algo que sempre tomei como garantido. Quão errado estava eu quando achava que cozinhar era tarefa fácil e rápida. A questão é que cozinhar não envolve só o ato de atirar uns bifes para uma frigideira e fazer um arroz (que soa mais fácil do que na realidade é). Cozinhar envolve comprar os ingredientes, preparar a comida e os utensílios a utilizar, ter grande atenção a tudo o que está a acontecer e a pior parte de todas: Ter de lavar tudo após ter acabado. Mãe, pai, obrigado.

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Mas vá, nem tudo é mau. Viver por conta própria tem as suas vantagens, tais como o facto de o processo de sair de casa se tornar muitíssimo mais rápido, não tendo de esperar autorizações nem boleias. Abençoados sejam os transportes públicos que, apesar de por vezes falharem, dão a quem não possui um automóvel e uma carta de condução a possibilidade de ir mais longe do que aquilo que as suas pernas lhe permitem.

Também, vivendo sozinho acabam os dramas sobre haver roupa atirada no chão ou uma toalha molhada por cima duma cadeira. Só começamos a preocupar-nos com isso quando os pais vêm visitar a casa (Desculpa, mãe).

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Claro que, tudo isto que eu disse só se aplica a quem vive realmente por conta própria. Meus amigos que vivem em apartamentos partilhados, as minhas orações estão convosco.

Assim, como um muito recente universitário e morador isolado, concluo este artigo com a ideia de que irei crescer como pessoa e como conhecedor nos anos que venha a passar na faculdade e que viver sozinho tem as suas vantagens e desvantagens, mas a autonomia e o crescimento individual que daí provêem são uma mais valia na nossa formação como pessoas e membros da sociedade, aprendendo a fazer as coisas por conta própria, no caso de quem vive em apartamentos partilhados a lidar com a vida em sociedade, e acima de tudo a viver em interdependência com aqueles que nos rodeiam.


José Miguel Pires

 

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