“Como está a tua tese?”

Muitos devem saber que estou numa fase incrível da vida onde tenho de dividir a minha vida entre um trabalho fulltime, trabalhar na tese e tentar ter uma vida social – mesmo que essa vida social seja tentar tomar um cafézinho com a minha avózinha (ela mora comigo, so… yup).

A pergunta que mais tenho ouvido no último ano é o clássico “Como está a tua tese?“.

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Vá, não está assim tão tensa. Não estou totalmente livre disto, mas quero acreditar piamente que estou super bem encaminhada e que com meia dúzia de horas dedicadas a isto consigo terminar e entregar a tese no timing a que me propus, sem pagar extras à faculdade (‘cause…). Dinheiros à parte, a verdade é que a emoção já está a falar mais alto, para não falar do desgaste emocional, físico e mental que fazer uma tese implica.

Quem está na luta percebe. Às vezes não é uma questão de tempo, ou capacidade, mas sim de disponibilidade mental e emocional para nos dedicarmos a isto. Afinal são praticamente 100 páginas que já lemos, relemos e reescrevemos centenas de vezes, que alteramos a cada comentário, expressão facial ou silêncio das pessoas a quem temos coragem de partilhar. O grande truque que retiro disto? Nunca ninguém vai saber mais do tema do que vocês. Afinal estão a trabalhar nesta coisa há (mais de) um ano. Por isso, vá lá. Confiem no vosso trabalho e em vocês.

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Emoções e pep-talks à parte (embora muito verdadeiros) a maior parte das pessoas que conheço está na fase da negação, onde acreditam que não vão conseguir entregar a tempo. Tenho amigas que já estenderam o seu prazo de entrega. Eu recuso-me. Recuso-me porque quero a minha vida de volta. O acordar sem pensar que tenho uma tese para terminar. Escolher um livro para ler sem me sentir culpada porque tenho de ler artigos. Combinar os mil cafés e jantares que tenho pendentes porque “ah, estou com a tese. Mas quando entregar combino”.

Não me posso queixar! Fiz tudo no meu tempo, com excessos de motivação, desgostos e confiança, mas muita vontade de terminar. After all, terminar isto só depende de mim! Obviamente tenho pessoas muito boas do meu lado e que me vão dando o apoio e comidinha que tanto preciso para manter o ritmo. Mas o cansaço já está a dar cabo de mim e estou a precisar de entregar e fechar este capítulo.

“Ahhhh… mas ainda há a defesa.” Pois há, mas não é para já. Ainda bem que não! Por muito que saiba sobre o meu trabalho, se fosse defender seja o que for, acredito que não iria conseguir falar. Ansiedade e afins, coisas de uma millennial. Por isso, ainda bem que não. Preciso de tempo para me distanciar disto, de respirar, voltar a mim e, principalmente, voltar a ser eu. Nada de dramas, faz parte quando te dedicas tanto a um projeto. Apenas será preciso paciência.

Mas, meus queridos, nada temam… Até ao final do mês entrego isto! 


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Patricia Fernandes

 

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