5 Tipos de Estudantes a Fazer a Tese

Poucos devem saber que, neste momento, estou numa fase conclusiva do meu percurso académico e não tenciono regressar (pelo menos, de forma oficiosa) tão brevemente. Sou o que será considerada como uma aluna finalista do mestrado em Ciências da Comunicação, na vertente de Comunicação, Marketing e Publicidade. Digo “o que será considerada” pois a conclusão só depende de mim, do meu timing, disponibilidade e ritmo de trabalho.

Ao longo do mestrado tive várias cadeiras e, pelo menos, dois trabalhos por cada o que implicaria estar preparada, ou pelo menos, encaminhada nesta coisa de trabalhar de forma metódica e ritmada para cumprir timings. Tudo coisas pomposas que, na verdade, não são necessariamente para mim. Especialmente quando o timing tem mais de um ano e… num ano há muita coisa para fazer.

Se há coisa que me deixa nervosa é a constante comparação e necessidade de validação dos meus parceiros de batalha. Não me importo quando são amigos, ainda que sempre pedindo doses pequenas de dramas com os quais consiga lidar, nomeadamente, as ditas comparações. Deixemos claro deste já… Cada um tem o seu ritmo e não são perguntas como “Ainda não terminaste o primeiro capítulo?” ou “Ainda não enviaste nada?” que culminam na auto-validação do investigador “Eu já fiz 1837 páginas e já validei 473 capítulos, com 19736 respostas ao meu questionário” que me vão ajudar, não é?

Nestes meses de trabalho, pesquisa e investigação, também tive oportunidade de analisar vários tipos de investigadores e colegas que se cruzaram no meu caminho e que culminaram nesta lista magnífica. Estou certa que haverá um perfil para cada um!

1. O “Oh-para-mim-tão-Organizado”

Os investigadores organizados são aqueles que fazem mil e uma listinhas, têm centenas de documentos para a lista de autores, de sites ou citações, e um sem-número de folhas impressas, sublinhadas e com cores que ajudam a definir a melhor estratégia para atacar o bicho de frente. Para além disso, têm uma timeline atualizada semanalmente, uma dieta rica em ferro, ómega 3 e aquelas vitaminas todas xpto para fortalecer o cérebro, o corpo e a inteligência.

Desenganem-se! A organização é apenas um método camuflado de esconder o medo de não cumprir o deadline e recorrer às planificações para garantir que nada falha. Tudo organizado, mas isso não significa ter sempre inspiração. Brace yourselves. Vejam 13 Reasons Why no Netflix. Chorem, deprimam tudo e siga… para a versão “timeline_final_revista_atualizada_finalissima_v5” da planificação original para esta dissertação que está a tomar conta da vossa vida. Respirem e não se esqueçam de viver. De responder àquela chamada, ver aquele episódio ou comer a vossa comida favorita. A dissertação não é tudo. A vossa sanidade mental é mais importante.

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2. O “Tenho-Tudo-Na-Cabeça-Mas-Falta-Escrever”

Admito! Esta sou eu… Sei o que quero fazer com a minha tese deste o final do 1º semestre do primeiro ano do mestrado. O tema era peaners… Um tema mega atual, com um fenómeno recente e cheio de potencial dando-me um boost de confiança incrível durante uns meses. Sabia que autores queria utilizar, quais os exemplos a utilizar, que citações ir buscar para ter aquele quê de moderno, cool e inteligente. Sei e sempre soube o que queria fazer – sem planificações, timings ou ritmos estabelecidos. Tudo isso, mas sempre com a mesma desculpa “Agora só me falta escrever”.

Juntem-se a mim! Reconheço que usei essa desculpa durante alguns meses, onde a frustração e falsa-confiança se misturaram com excesso de trabalho, muito cansaço e tentativas forçadas de ter uma espécie de vida social. Usei essa desculpa e agora sinto que estou encaminhada, mas lutei e debati-me internamente com comparações frustradas do meu ritmo, do meu trabalho e de tudo o que tinha feito. Sabia o que queria, mas a frustração e dita falta de tempo mancharam a minha motivação. Nada como meia dúzia de cabeçadas na parede, uns desabafos e alguns momentos de escrita forçados que não ajudem. Isso e ter apoios extraordinários que celebram cada página. 

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3. O “Stressado-quero-acabar-tudo-porque-sou-merda”

Acredito que 95% das pessoas que conheço e estão em momento de redigir teses ou dissertações pertencem a este perfil. Geralmente são pessoas generosas q.b., com um bom ritmo de trabalho e que até percebem o que andam a escrever. Mais dia menos dia, até estão a cumprir os timings, com uma check list impecável e um orientador feliz por estar a fazer tudo certinho.

No entanto, as pessoas costumam duvidar de demasiada perfeição, e por isso, quando tudo corre bem têm tendência a… stressar e entrar em pânico e surgem pensamentos como “Como assim participatória? É participativa” ou “Devia era ter aulas de português que treta!” ou pior… “Vou mandar tudo ao lixo. Está uma merda!” mesmo que validado, revisto e aprovado por 50 pessoas diferentes. Calma, meus queridos! Nos dias de hiperventilação, façam um break estratégico do vosso trabalho imersivo e intensivo, debrucem-se num bom livro (longe dos temas da tese), ouçam música às escuras ou vão tomar o “tal café” com os vossos amigos que, por esta altura, já nem sabem se estão vivos. Aproveitem os pequenos momentos, desabafem e continuem caminho. Confiem em vocês e no vosso orientador. E nas mil pessoas a quem mostram a tese, ou com quem tiram dúvidas. Confiem. 

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4. O “Calma-Que-À-Pressão-É-Que-Estou-Bem”

Os restantes 5% das pessoas que conheço pertencem a este perfil do magnífico “trabalho bem sob pressão”, que conseguirão ter uma tese concluída em… 5 horas antes do final da entrega. Conheço alguns casos de sorte que conseguiram notas extraordinárias em troca de um mês de diretas, à base de cafeína, estupefacientes e/ou junk food para enganar o cérebro a produzir dezenas de páginas de forma massiva com um deadline reduzido e muita adrenalina à mistura.

Inevitavelmente, este perfil pertence também às pessoas que hibernam durante uma semana após a entrega, acordando esporadicamente para uns goles de água, meia dentada numa pizza e tentativa de voltar à dura realidade do quotidiano. Sim porque isto de viver à artista durante um mês dá cabo do sistema de qualquer um. Mas, não julgo métodos e ritmos de trabalho e, independentemente, de tudo o que conta é o resultado final. Venham daí os 20s! O corpo paga depois. Com pressão, post-its de 6 cores e muito vocabulário na ponta dos dedos, a vossa tese ficará um mimo em menos de nada, com uma estrutura impecável a bater os mínimos desejados, com uma metodologia objetiva, minimalista e concisa. Sim, isto de ter demasiado tempo também pode dar para o exagero e eu prefiro acreditar que esta malta se fia na velha máxima do Less is More.

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5. O “Sou-tão-irritante-e-Perfeito-ah!-e-impossível”

Chegámos à categoria do… Impossível! Não conheço ninguém que, na sua plenitude, tenha trabalhado de forma constante, sem qualquer drama ou stress, com uma confiança superior sem recorrer a aditivos ou semelhantes para cumprir o proposto num calendário pensado ao pormenor, de forma diária, onde um ano é mais do que tempo para ler, investigar, escrever, trabalhar, formatar, rever, imprimir, rever, rever e entregar sem quaisquer atrasos, desmotivações ou pensamentos negativos. Todos estes pensamentos, avanços e recuos, métodos e testes, calendarizações e superstições são válidos pois refletem a pessoa que somos.

Repito! Não conheço. Não compreendo. Não assimilo como é que poderão sequer existir pessoas que vejam uma tese de forma tão leviana, olhando para isto como mais um mero trabalho de faculdade que terão de apresentar à semelhança de muitos outros, com a “pequenina” diferença que defenderão a investigação que demorou meses em frente a um júri sedento, sábio e com mil vezes mais experiência do que imagina e, que atacará, a qualquer vacilar do investigador.

Brincadeiras à parte… Este é o perfil que todos sonhamos ser mas apenas 0,001% conseguem atingir na sua plenitude. Este é o perfil que começamos por ser, mas que uma semana depois já descambou para qualquer outro dos perfis porque o ser humano não está apto de ser confiante, eficaz, capaz e de cumprir timings sem qualquer pressão. Não é humanamente impossível, e ainda bem. Caso contrário, isto de fazer uma dissertação era só mais um mecanismo automatizado de uma lista de coisas automáticas que já fazemos no nosso dia a dia.

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Perfis à parte, lanço apenas uma ideia: não julguem, não comparem, não opinem, não abordem o tema sem serem chamados. Cada pessoa tem o seu ritmo, o seu perfil, o seu método, o seu tempo e timing, a sua linguagem e ninguém é mais do que ninguém para opinar, criticar ou julgar seja o que for. Especialmente, quando estão assumidamente distantes daquilo que a pessoa está a fazer. Vamos só apoiar-nos e celebrar cada página escrita, com uma boa dose de café, boa disposição e um update à check-list que tão bem merecemos.


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Patricia Fernandes

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