Carta de amor à Sade

A música sempre fez parte de mim mas, naturalmente, há artistas que se apreciam de formas distintas em momentos diferentes das nossas vidas. Já adorei artistas que hoje ainda pergunto aos céus “Porquê?”, há outras que são dignas de pertencer às listas de guilty pleasure mas, há ainda aquelas que são especiais. Independentemente de tudo.

O meu amor por Sade acompanha-me há algum tempo. Surgiu nas manhãs a caminho da escola, quando a RFM ainda era a estação-líder imbatível e fazia o trajeto monótono de casa-escola/trabalho de muitas pessoas. Lembro-me perfeitamente dos amanheceres cinzentos e chuvosos, onde nada mais havia a fazer que chatear o meu irmão e ouvir as músicas da rádio e trautear (sem saber que o fazia) a By Your Side (retirada do álbum Lovers Rock de 2000) e Quem não se lembra de frases tão explosivas como: You think I’d leave you down, when you’re down on your knees? I wouldn’t do that. […] Oh! When you’re cold. I’ll be there to hold you tight to me.

Inconscientemente fixei a voz da Sade, e associei-a sempre a uma fase da minha infância. Sem saber nome da canção ou da artista. Era mais nova e não era pertinente saber quem cantava porque ouvia-a todos os dias no mesmo período das 7h00 às 9h00. A vida aconteceu, as rotinas ajustam-se e há coisas que deixam, por isso, de acontecer com a mesma frequência.

“O meu amor por Sade
acompanha-me há algum tempo.”

Sempre fui muito nostálgica, e a minha adolescência passou-se dividida entre os êxitos emo-pop-rock da época e os clássicos dos anos 80 e 90 que acabavam por me fazer recordar os meus momentos de criança. *Ui! Drama queen, eu sei*. Nesta aventura e (re)descoberta das canções mais antigas voltei a recordar a Sade. Aquela voz arrebatadora do By Your Side. Aquela música que ouvia nos amanheceres cinzentos e chuvosos. Aquela que ouvia na rádio e trauteava.

A adolescência deu-me para ser muitas coisas, mas também me deu a oportunidade de me fechar no quarto, com a minha nostalgia, e perder horas e horas na Internet a ouvir e explorar álbuns e artistas que eu já conhecia e tanto gostava. A Sade foi, inevitavelmente, uma dessas artistas. Os seus ritmos sedutores, a voz arrebatadora e quente, as letras meio imperceptíveis que envolviam os meus pensamentos como um tango solitário.

Depois de By Your Side veio The Sweetest Taboo, No Ordinary Love, Smooth Operator, Your Love is King ou, mais recentemente, Soldier of Love. Todas estas canções pela voz envolvente, sexy e quente da Sade.


“Inconscientemente fixei a voz da Sade, e associei-a sempre a uma fase
da minha infância.”

Sabes que a Sade é amor quando recorres a ela, nos momentos simples e confortáveis, como uma viagem de carro no regresso a casa com o By Your Side, quando partilhas com aquela parte do No Ordinary Love com o teu amor ou quando tens os teus momentos solitários com o Cherish the Day.

Sade é amor porque é simples, é quente e reconfortante; encontras momentos e certezas em todas as suas letras. Numa altura onde o mundo parece estar em eclosão, resta-nos os pequenos prazeres da vida. O meu estará sempre algures entre ouvir Sade deitada na cama às escuras de headphones ou ouvi-la no meu carro com o volume no máximo – porque Sade é amor, e o amor está sempre lá quando precisamos.

On a side note… Vamos só apreciar a beleza desta senhora. Há melhor que isto? Quem me dera, chegar a metade com 30 anos. É só isso que peço! Metade do que esta mulher é!

Keep A Child Alive's 7th Annual Black Ball - Inside


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Patricia Fernandes

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