Um estudante em gestação

Será que já vou tarde para escrever sobre os exames? Se for, este post poderá sempre servir para o próximo ano e daí em frente… Atenção, caros colegas que estão nestes dias a fazer exames nacionais: este post é para nós.

Durante esta semana e a próxima, entre 19 e 27 de junho, realiza-se a primeira fase dos Exames Nacionais do Ensino Secundário. Sejam as disciplinas Matemática A, Português, História A, Física e Química A ou Biologia e Geologia, há uma vertente comum a todas elas: A entrada em quarentena dos estudantes para conseguir preparar-se para estas provas que têm um peso valente na nota de candidatura ao ensino superior.

Atenção, eu não sou absolutamente nada contra a realização dos Exames Nacionais, antes pelo contrário, acho que de entre todas as maneiras possíveis de criar vias de acesso ao Ensino Superior público, esta é a mais justa e aquela que nos coloca a todos nós, candidatos, no mesmo patamar perante a candidatura. Um só exame, realizado por todos no mesmo dia à mesma hora com o mesmo limite de tempo sob as mesmas condições.

Voltando ao assunto, quero neste post deixar um bocado a minha experiência com estes exames algumas palavras de alento para aqueles que me acompanham nestes dias. Este ano as minhas provas a realizar são o exame de Português e de Matemática A. Com uma média que me permite alguma margem de manobra, devo admitir que não vou com grande pressão sob os meus ombros para os exames nem sofri muito nestas últimas semanas. Mas meus queridos amigos, aqueles que precisam de todas as décimas possíveis e que levam o seu raciocínio aos seus limites, vos faço aqui um pedido: Calma. Conheço colegas que entram num transe de estudo doentio ao longo destas semanas que precedem os exames, que se abstraem de momentos de relaxamento e de descanso em prol de completar mais um ou dois exercícios.

A todos estes colegas e a todos os que se encontram na mesma situação faço um apelo geral: Descansem. Mantenham a vossa mente fresca. Com um estudo desgastante e sem qualquer tipo de descanso o rendimento acaba por ser prejudicado e o cansaço pode-se transformar em outras vertentes mais malignas para a nossa saúde, especialmente como jovens ainda em crescimento e desenvolvimento, tanto psicológico como físico.

Não vale a pena perder a sanidade mental por mais uma décima. Não vale a pena fazer 3 diretas seguidas para depois chegar ao exame e não conseguir ler as perguntas devido ao sono e cansaço que domina o vosso ser. Não vale a pena chorar se as coisas não correrem como nós queremos. Não vale a pena entrar em depressão ou esgotamentos nervosos fruto de um exame.

Meus caros, há sempre uma 2ª fase, há sempre o ano seguinte (somos jovens, entrar na universidade com 17, 18 ou 19 anos não faz uma diferença assim tão acentuada nas nossas vidas), há sempre outras opções para preencher o tempo entre o exame deste ano e o exame do ano seguinte: arranjar um emprego e ganhar experiência profissional, ir realizando algumas cadeiras que podem ser feitas como “Unidades Curriculares Isoladas” e que depois vos pouparão algum tempo quando finalmente entrem na universidade no ano a seguir, realizar um Ano Zero, um Gap Year ou mesmo fazer voluntariado! As possibilidades para ocupação do tempo são inúmeras.

Assim que, como um acompanhante ávido de pessoas que se encontram em situações assim e que sofre quase só por observar alguém em tal desespero consequente de uma escolha múltipla errada ou de um valor trocado no exame, faço aqui um chamado a todos aqueles que irão realizar exames nos próximos dias:

  • Não se deixem dominar pelo medo de falhar e de não conseguir. Não façam sessões de estudo esgotantes.
  • Tentem sempre fazer intervalos de pelo menos 15 minutos a cada hora e meia de estudo para esticar as pernas, comer qualquer coisa ou ver as notificações do telemóvel.
  • Durante o exame organizem o vosso tempo.
  • Quando sintam uma fadiga extrema, desviem o olhar para longe do exame, respirem fundo, e depois, mais calmos, voltem a reler a pergunta em questão.
  • E acima de tudo, não se deixem cair nas mãos do stress e da pressão. É um exame, vale o que vale, tem um peso importante no nosso futuro próximo, mas nunca vale mais do que o nosso próprio bem-estar físico e mental.

 


José Miguel Pires

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